Permissão para ser mulher

Há algum tempo, tenho despertado meu lado feminino e sensual e tenho refletido sobre a sensação que carrego desde a infância de que nós, mulheres, não podemos nos arrumar muito, nem usar batom vermelho, nem saias mais curtas, pois seremos vulgares e podemos ser assediadas/estupradas. Como se isso fosse uma matemática lógica e uma punição merecida. Como isso permeou o meu inconsciente!

Dentro dos meus conceitos, eu sei que nunca fui e nunca serei vulgar, mas por temer tanto sê-lo, me dei conta de que passei anos me escondendo em roupas largas e mais compridas do que convinha para a minha idade. Com isso, eu deixava de me cuidar, e assim, de me amar também.

Já tinha ouvido de várias pessoas que eu me vestia de forma muito “séria”, mas na verdade, elas queriam dizer que eu parecia velha! Até que uma amiga teve coragem e me disse isso na lata: “você se veste como bem mais velha e você só tem 30 anos!”

Isso começou a vir com tanta força, que me pus num movimento que eu chamei de “Eu cuido de mim com amor” e comecei a investir no resgate da minha auto estima, do amor pelo meu corpo, do meu autocuidado, da minha sensualidade pura e, enfim, do meu feminino que é doce sim, mas que é forte também.

Neste período de reflexão e transformação, me lembrei muitas vezes de uma tentativa de abuso que sofri aos 10 anos, mas como eu já era maior, me dei conta do que estava acontecendo e saí gritando. Quantas crianças passam por isso e não sabem, nem conseguem se defender? Fui me lembrando de tantas vezes que senti medo ao andar na rua, uma sensação de ser engolida por olhos e comentários machistas e deploráveis. E assim, eu fui me escondendo na tentativa de me manter “protegida” disso tudo. É muita violência!

E claro que há inúmeras mulheres que praticam o mesmo, contribuindo com esse distúrbio social ao apreciar comentários machistas como se fossem “elogios”, ou pior, emitindo comentários tão machistas quanto. Não estou aqui culpando os homens. Quero só compartilhar que tudo isso é sim VIOLÊNCIA, é um movimento silencioso que nos tira a liberdade de Ser, de ir e vir. É o feminino sendo violentado dia a dia por todos nós, passiva ou ativamente.

Quando eu morei nos EUA eu me sentia muito mais livre. Nunca presenciei um homem que tenha ficado me medindo, esperando eu virar de costas para ele me avaliar, fazendo caras e bocas, nem me insultando com comentários machistas. Me contaram que lá, os homens podem ser presos por isso. Nesta época eu percebi que, o que eu achava normal aqui no Brasil, na verdade não é. É um distúrbio social de fato.

Todos nós pertencemos e contribuímos a isso de alguma forma. Logo, a mudança começa em cada um de nós.

E é por estar compreendendo tudo isso, que eu me alegro ao ver tantos movimentos de resgate do feminino, de cura do masculino, de retomada do equilíbrio entre essas energias tão únicas e necessárias para a humanidade – energias que todos temos em nós, não importa o nosso gênero ou opção sexual.

Eu tenho feito a minha parte. Por hora, posso dizer que hoje estou mais consciente, reencontrando o meu feminino, despertando a minha sensualidade.

Ah, dentre tantas transformações internas e externas, hoje eu uso batom vermelho sim e mudei quase todo o meu guarda roupa! Eu me cuido com todo amor e me amo muito mais. Me presenteei com a permissão para ser mulher, e tenho assistido e experienciado o despertar do feminino que, como em qualquer beleza, é único em cada um de nós.

E ainda assim, sigo nesse exercício de respeitar os meus limites, demonstrando claramente na minha expressão até onde alguém pode chegar.

Feliz resgate do feminino e cura do masculino em todos nós!

Amor e Luz,

Tatiane Guedes

Fonte: Spontaneum

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