Espiritualidade na prevenção às drogas e amor-exigente

 

Existem muitas concepções sobre espiritualidade. Na tradição cristã a espiritualidade não se reduz a algumas práticas de ascese ou mística que iluminam apenas a dimensão espiritual humana. Trata-se de uma totalidade, ou seja o todo de uma pessoa que se encontra possuída pelo amor de Deus.

A verdadeira espiritualidade não consiste tanto na pretensão de amar a Deus como ele merece, ninguém o conseguiria, mas, sobretudo, na descoberta de como é grande o amor de Deus para conosco.

Uma pessoa que trabalha com Deus é capaz de dar o melhor de si mesma. Uma pessoa assim, a exemplo de Tereza de Calcutá, é capaz de fazer maravilhas, acolher mais de 40.000 mendigos.  Só o amor explica o que aconteceu com Francisco de Assis, escolhido como o homem do milênio.

Martin Luther King quando recebe o prêmio Nobel da Paz, tendo diante de si milhares de jovens, conclamou-os para a revolução da solidariedade: “Até quando vocês, que são inteligentes, pretendem repetir os mesmos erros dos seus antepassados? Quais foram os resultados do ódio, do capitalismo, do hedonismo, do comunismo? Eu os convido a fazer a nova revolução, a revolução da solidariedade”.

Só a solidariedade é caminho sólido. Constatamos que as obras das pessoas que amam tornam-se fecundas e sólidas, provocam verdadeira solidariedade. As outras se tornam frágeis e muitas vezes vítimas de tentações, inclusive das drogas e da cultura de morte.

Eu vim para que todos tenham vida e vida plena, disse Jesus. Vida plena é sinônimo de espiritualidade. Vida plena só acontece quando o amor une as pessoas e as articula. Essa também é resultado da espiritualidade; o amor une as pessoas na experiência da gratuidade, da doação e da acolhida.

Princípios do amor-exigente

Amor-exigente é uma proposta de educação destinada a pais e orientadores para prevenir e solucionar problemas como: desrespeito, violência, falta de motivação, consumo exagerado de álcool, uso de drogas ilícitas, repetência escolar, enfim, qualquer comportamento inadequado. Trata-se de uma nova abordagem que enfatiza a mudança de comportamento de pais, professores, terapeutas, orientadores e voluntários em relação a pessoas com problemas.

Amor-exigente baseia-se em doze princípios básicos. Eles são um guia para uma maneira de viver e de administrar a família:

1 – Raízes culturais: os problemas dos pais e dos filhos têm raízes e apoio na cultura;

2 – Os pais também são gente. Não se tornam perfeitos ao se tornarem pais;

3 – Os recursos materiais e emocionais dos pais têm limites. Portanto, assumam tranquilamente suas limitações;

4 – Pais e filhos não são iguais: pais devem ser guias, orientadores, educadores dos filhos;

5 – A culpa torna as pessoas indefesas e sem ação;

6 – O comportamento dos filhos afeta os pais, o comportamento dos pais afeta os filhos;

7 – Tomada de atitude: assumir posições firmes, claras e definidas;

8 – Das crises bem administradas ou controladas surge a possibilidade de mudanças positivas;

9 – Grupo de apoio: as famílias precisam dar e receber apoio em sua própria comunidade para que possam mudar suas atitudes;

10 – Cooperação: união de pessoas em volta de um mesmo trabalho para o bem comum;

11 – Exigência ou disciplina – aquilo que não se aprende em casa, a vida ensina a duras penas;

12 – Amar, compreender, respeitar e ajudar o outro a crescer como pessoa.

Diante de tais princípios, abre-se a perspectiva de uma reflexão de base sobre o papel da família, como primeiro dom, primeira responsabilidade e como sacrário da vida. Se ela falhar, significa que o primeiro impacto com o mundo poderá mais facilmente resultar em um fracasso.

São comuns também os casos em que os próprios pais tornaram-se dependentes do álcool ou de outras drogas. Nesses casos, os princípios do amor-exigente podem ser aplicados pelos filhos e outros familiares em relação aos pais.

Dos doze passos do amor-exigente, quais são os mais oportunos? Você acrescentaria outros? Quais? Por quê?

Solidariedade como princípio fundamental

Se, por um lado, a sociedade assume uma atitude de preconceito e discriminação perante o mundo das drogas e do alcoolismo, por outro a mentalidade consumista dessa mesma sociedade estimula o uso compulsivo de bebidas, cigarros, alimentos, etc., desvirtuando até mesmo as festas de momentos importantes da vida, como as de aniversários, formatura, casamento.

Há dinheiro para bombardeamentos e faltam recursos para a educação. O homem chega à luta e não se conhece, é superficial. Viajamos pela internet e não somos capazes de dialogar e conviver com os que estão ao nosso redor.

Promoção integral do ser humano

Existem princípios universais que governam as atividades humanas. São leis naturais, comprovadas e validadas por si mesmas e não mudam com o passar do tempo. Como tal, devem estar presentes no processo de prevenção e recuperação. Enquanto pessoas humanadas, precisamos sempre nos servir desses princípios: da razão, do afeto, do sentido da vida, da liberdade, da honestidade, dignidade, fidelidade, integridade, justiça, da imparcialidade, do estímulo, de uma palavra ou gesto de amor. “Vai e vem, tudo que o mundo tem, só o que não se cansa é a gente de se querer bem”, como dizia uma canção.

O conjunto desses valores está em potencial em toda pessoa humana. Tais valores requerem o cultivo por parte da família, de educadores e da própria pessoa, como sujeito, na busca de uma promoção integral do ser humano. O ambiente e as companhias podem ser favoráveis ou não. O clima de acolhida, confiança, amizade, diálogo, compreensão, disciplina, fé, estímulo e ternura favorece fundamentalmente o crescimento harmônico e livre.

Nada de definitivo pode acontecer só com intervenções esporádicas. Tudo supõe um processo educacional. Trata-se do cultivo permanente do próprio potencial, tendo em vista um projeto de vida. Todos sentem necessidade de crescer, desenvolver-se, de evoluir, de amor e ser amado, de servir e ser reconhecido. Esse processo educacional precisa de encorajamento, motivação, reflexão, libertação, acompanhamento amoroso e sábio, de alegria, bom humor, de modelos vivos, ou seja, de educadores e particularmente de amigos.

O resultado jamais será definitivo. Tudo pressupõe muita persistência, coragem, criatividade, dedicação, moderação, responsabilidade, generosidade, solidariedade, fidelidade e constância. É importante aprender a aprender. Quando sabemos de cor as respostas, a vida nos troca as perguntas.

De nada adianta ignorar ou fazer de conta que os problemas não existem. Tudo aquilo que a história não resolve ela devolve. Temos necessidade de nos fundamentar na verdade. Ela nos liberta.

Nenhuma pessoa, por mais competente que seja, entende de tudo. Somos limitados. A comunidade educativa, em sintonia com família, a escola, as igrejas, as tradições religiosas, e os meios de comunicação precisam trabalhar juntos pelos mesmos objetivos.

Em síntese, cremos que só por meio de um processo de educação integral, que cultive pessoas sadias, sábias, fortes, amorosas e solidárias, poderemos prevenir o flagelo das drogas. Para tanto, faz-se necessário articular as competências e instâncias educacionais.

Fonte: Irineu Danelon

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